Instituição e Vida
Todas as instituições tendem a perpetuar-se sem modificações. Essa é a razão por que, mais cedo ou mais tarde, todas elas acabam por colidir com a vida. Porque a vida é fluida, e apresenta-nos sempre problemas novos e surpreendentes, não pensados com antecedência. Nada garante que os problemas futuros sejam idênticos aos problemas passados. Acontece que as instituições, como cristalizações de soluções passadas, contêm, implícita nelas mesmas, a afirmação de que problemas futuros se resolvem com soluções passadas.
Encontramos aqui as razões para o equilíbrio sempre precário entre instituições e suas bases humanas, e para os mecanismos repressivos de tudo o que represente novas maneiras de pensar e de comportar. De um lado, a instituição faz uso de seus mecanismos para impor sua interpretação da realidade e os comportamentos correspondentes. Do outro lado, as pessoas, sentindo um mundo diferente e os problemas novos que resistem às programações institucionais, são obrigadas a se desviar das instituições. As instituições, que num momento originário foram criadas como expressão e instrumento de pessoas, passam a ser vividas como obstáculo e repressão.
É da psicanálise que retiro a categoria repressão. Para a psicanálise, a essência da sociedade é a repressão do indivíduo e a essência do indivíduo é a repressão de si mesmo. Cabe-nos perguntar das razões que fazem com que o homem aceite voluntariamente a repressão. Parece que a aceitação da repressão tem a ver com uma contabilidade pragmática do ego, que faz uma discriminação entre vantagens e desvantagens. Ninguém aceitaria voluntariamente se ela não trouxesse certas vantagens laterais. O fato é que a liberdade tem, freqüentemente, um custo emocional maior que a dominação a que o indivíduo está sujeito na vida institucional. Aqui a rebelião contra a repressão permanece inaudível, e só aflora em nossos lapsos e sonhos. É a linguagem proibida, linguagem da rebelião contra a verdade, de que deve ser confessada como pecado. O discurso contra a repressão só se torna audível quando as novas realidades vitais já se impõem de tal forma que o custo da repressão é maior do que o protesto contra ela.
Manter o discurso institucional sem levar em consideração que vivemos novas realidades, é afastá-la das prioridades, relativizando sua importância e mensagem. A estrutura eclesial está engessada, endurecida e vivendo séculos atrás, ficando sem nenhuma relevância no mundo pós-moderno.
A instituição não deve viver no passado e nem do passado.
Pense nisso
Wagner



