terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Dar a Luz a Si Mesmo


Dar à Luz a Si Mesmo


O útero é a matriz do Ser por excelência. Em hebraico, réhem é a matriz, o seio interior, o útero da mulher. Ele envolve e acolhe a vida, fruto da união do masculino e do feminino, do homem e da mulher, numa só carne. No útero, o embrião é matriciado e desenvolve-se. Qual o significado do desenvolvimento da criança, do jovem e do adulto? A palavra desenvolvimento foi tão usada pela economia e pela sociologia e acabou contaminada. Entretanto, sua origem etimológica é evidente: desenvolver é o oposto de envolver. Quem se des-envolve, livra-se de envolvimentos e matrizes. O desenvolvimento da criança, do adolescente e da pessoa humana traz à lembrança a vocação desse processo, oposto às prisões, aos envolvimentos ilusórios e esterilizantes. Cada indivíduo deve buscar seu verdadeiro lugar na vida, rompendo com envolvimentos que limitam e confundem. Para se libertar do primeiro envelope, o ventre materno, as forças naturais bastam. Para se livrar dos envelopes verbais e imaginários, como prepúcios como tecidos em torno de nós pelos pais, familiares e sociedade, as forças sobrenaturais – simbólicas e espirituais – são necessárias.
O primeiro envelope, o do ventre materno, é essencial e necessário por nove meses. A matriz uterina recebe, mantém e da à vida. Numa perspectiva bíblica mais ampla, Deus é a matriz de cada uma de suas criaturas ao longo de nossa existência. Mas esse envelope material, no final da gravidez, torna-se prisão e limite. O desenvolvimento progressivo do embrião, do feto e do bebê leva ao abandono do envelope uterino e ao nascimento. No tempo certo, mas de forma inevitável, a criança nasce, “rompendo” a matriz abdominal da mãe. As condições do parto não são sem consequência sobre a psique e o destino do recém-nascido. Ao sair de um envelope, entra-se em outro: o organismo familiar, uma nova matriz “abdominal”. A criança precisa de alimentos sólidos e líquidos para viver. E é alimentada nessa nova matriz, a mais exposta do ser humano, a que se manifesta a maior exterioridade e a menor interioridade. O que deveria ser matriz manancial, nascente e fonte pode tornar-se rapidamente um projeto de molde e forma.

Continua ...


Corpo
Território do Sagrado
Evaristo Eduardo de Mirando

domingo, 20 de dezembro de 2009

Falando Pela Boca de Einstein


Falando pela boca de Einstein



Descrevendo três tipos de religiosidade:


“Entre os homens primitivos é o medo, acima de tudo, que provoca a religião – medo de fome, das feras, das doenças, da morte [...]. Os impulsos sociais são outra forma de cristalização da religião [...]. O desejo de ser guiado, de amor, de apoio, leva o homem a formar o conceito moral de Deus. Este é o Deus da Providência, que protege, dispõe recompensa e pune [...]. Este é o conceito moral ou social de Deus. A Bíblia judaica ilustra admiravelmente a passagem de uma religião de temor para uma religião moral, um processo que continua no Novo Testamento. As religiões de todos os povos civilizados, especialmente no Oriente, são primariamente religiões morais [...]. O que há de comum nessas formas de religião é o caráter antropomórfico do conceito de Deus [...].
Mas há um terceiro estágio da experiência religiosa que está presente nos anteriores, embora seja dificilmente encontrável em sua forma pura: Eu o denomino sentimento religioso cósmico [...]. O indivíduo sente a futilidade dos desejos e objetivos humanos e (sente) a ordem sublime e maravilhosa que se revelam na natureza e o mundo do pensamento [...]. [Este] sentimento religioso cósmico já aparece nos salmos de Davi e em alguns Profetas. O Budismo [...] contém isso de modo ainda mais forte. Os gênios religiosos de todos os tempos se distinguiram. Poe este tipo de sentimento religioso, que desconhece dogmas e um Deus conhecido como imagem do homem [....]. É precisamente entre os hereges [...] que nós encontramos homens [...] com o mais elevado sentimento religioso desta espécie [...] que eram considerados pelos seus contemporâneos muitas vezes como ateus e às vezes também como santos. Nesta perspectiva, homens como Demócrito, Francisco de Assis e Espinoza estão muito próximos entre si”. ([124, apud [121}, PP. 36-38).

Pare e pense
Wagner

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Alimentando as Ovelhas ou Divertindo os Bodes?


Alimentando as Ovelhas ou Divertindo os Bodes?



Existe um mal entre os que professam pertencer aos arraiais de Cristo, um mal tão grosseiro em sua imprudência, que a maioria dos que possuem pouca visão espiritual dificilmente deixará de perceber. Durante as últimas décadas, esse mal tem se desenvolvido em proporções anormais. Tem agido como o fermento, até que toda a massa fique levedada. O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão consiste em prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo. A igreja abandonou a pregação ousada, como a dos puritanos; em seguida, ela gradualmente amenizou seu testemunho; depois, passou a aceitar e justificar as frivolidades que estavam em voga no mundo, e no passo seguinte, começou a tolerá-las em suas fronteiras; agora, a igreja as adotou sob o pretexto de ganhar as multidões.
Minha primeira contenção é esta: as Escrituras não afirmam, em nenhuma de suas passagens, que prover entretenimento para as pessoas é uma função da igreja. Se esta é uma obra cristã, por que o Senhor Jesus não falou sobre ela? .Ide por todo o mundo e pregue o evangelho a toda criatura. (Mc 16.15). Isso é bastante claro. Se Ele tivesse acrescentado. E oferecei entretenimento para aqueles que não gostam do evangelho, assim teria acontecido. No entanto, tais palavras não se encontram na Bíblia. Sequer ocorreu à mente do Senhor Jesus. E mais: .Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres. (Ef 4.11). Onde aparecem nesse versículo os que providenciariam entretenimento? O Espírito Santo silenciou a respeito deles. Os profetas foram perseguidos porque divertiam as pessoas ou porque se recusavam a fazê-lo? Os concertos de música não têm um rol de mártires.
Novamente, prover entretenimento está em direto antagonismo ao ensino e à vida de Cristo e de seus apóstolos. Qual era a atitude da igreja em relação ao mundo? .Vós sois o sal., não o .docinho., algo que o mundo desprezará. Pungente e curta foi à afirmação de nosso Senhor. Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. (Lc 9.60). Ele estava falando com terrível seriedade!
Se Cristo houvesse introduzido mais elementos brilhantes e agradáveis em seu ministério, teria sido mais popular em seus resultados, porque seus ensinos eram perscrutadores. Não O vejo dizendo: Pedro vá atrás do povo e diga-lhe que teremos um culto diferente amanhã, algo atraente e breve, com pouca pregação. Teremos uma noite agradável para as pessoas. Diga-lhes que com certeza realizaremos esse tipo de culto. Vá logo, Pedro, temos de ganhar as pessoas de alguma maneira! . Jesus teve compaixão dos pecadores, lamentou e chorou por eles, mas nunca procurou diverti-los. Em vão, pesquisaremos as cartas do Novo Testamento a fim de encontrar qualquer indício de um evangelho de entretenimento. A mensagem das cartas é. Retirai-vos, separai-vos e purificai-vos!. Qualquer coisa que tinha a aparência de brincadeira evidentemente foi deixada fora das cartas. Os apóstolos tinham confiança irrestrita no evangelho e não utilizavam outros instrumentos. Depois que Pedro e João foram encarcerados por pregarem o evangelho, a igreja se reuniu para orar, mas não suplicaram: .Senhor, concede aos teus servos que, por meio do prudente e discriminado uso da recreação legítima, mostremos a essas pessoas quão felizes nós somos.. Eles não pararam de pregar a Cristo, por isso não tinham tempo para arranjar entretenimento para seus ouvintes. Espalhados por causa da perseguição foram a muitos lugares pregando o evangelho. Eles transtornaram o mundo. Essa é a única diferença! Senhor limpe a igreja de todo o lixo e baboseira que o diabo impôs sobre ela e traga-nos de volta aos métodos dos apóstolos.
Por último, a missão de prover entretenimento falha em conseguir os resultados desejados. Causa danos entre os novos convertidos. Permitam que falem os negligentes e zombadores, que foram alcançados por um evangelho parcial; que falem os cansados e oprimidos que buscaram paz através de um concerto musical. Levante-se e fale o alcoólatra para quem o entretenimento na forma de drama foi um elo no processo de sua conversão! A resposta é óbvia: a missão de prover entretenimento não produz convertidos verdadeiros. A necessidade atual para o ministro do evangelho é uma instrução bíblica fiel, bem como ardente espiritualidade; uma resulta da outra, assim como o fruto procede da raiz. A necessidade de nossa época é a doutrina bíblica, entendida e experimentada de tal modo, que produz devoção verdadeira no íntimo dos convertidos.
Por último, a missão de prover entretenimento falha em conseguir os resultados desejados. Causa danos entre os novos convertidos. Permitam que falem os negligentes e zombadores, que foram alcançados por um evangelho parcial; que falem os cansados e oprimidos que buscaram paz através de um concerto musical. Levante-se e fale o alcoólatra para quem o entretenimento na forma de drama foi um elo no processo de sua conversão! A resposta é óbvia: a missão de prover entretenimento não produz convertidos verdadeiros. A necessidade atual para o ministro do evangelho é uma instrução bíblica fiel, bem como ardente espiritualidade; uma resulta da outra, assim como o fruto procede da raiz. A necessidade de nossa época é a doutrina bíblica, entendida e experimentada de tal modo, que produz devoção verdadeira no íntimo dos convertidos.

Charles Haddon Spurgeon

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Abuso Espiritual



Abuso Espiritual






Caminhar sobre o solo do tema abuso espiritual exige cuidado e afeto. O solo é sagrado. Não é outro senão o coração de vítimas. As vítimas estão sempre fragilizadas e carregam consigo suas dores na carne e na alma. Jesus ensina a pisar no solo sagrado da intimidade das vítimas: com a cautela amorosa de quem não quer apagar o pavio que fumega nem esmagar a cana trilhada. Implica o sopro singelo para que as chamas se recupere desde das cinzas e o carinho necessário para que as feridas encontrem o caminho da cura.
Ao longo dos anos, tenho experimentado o privilégio de oferecer meu ombro para o pranto, os ouvidos para o lamento, e os joelhos para suportar a intercessão aqueles que de alguma maneira foram feridos em nome de Deus. Carrego comigo o fardo das culpas e vergonhas (as vítimas tendem a se enxergar como responsáveis pelo abuso que sofreram), decepções e frustrações, ódios e ressentimentos, desdém e indiferenças (fingir que nada aconteceu ou que o ocorrido foi de somenos importância é uma espécie de fuga), desconfianças e inseguranças, além da inevitável crise de fé, aquela necessária revisão de tudo que foi assimilado como verdade e é colocado em suspeição no tribunal a consciência desperta e do bom senso recuperado. O dia seguinte ao abuso é sempre dia de choro. E nem todos conseguem discernir ao certo os motivos de suas lágrimas. É por essa porta entreaberta que dá acesso a um labirinto de pensamentos e de sentimentos que o pastor entre pisando leve e falando baixo, com cuidado para que o último fôlego de vida não se perca.
No quarto escuro em que os feridos em nome de Deus provisoriamente se recolhem, encontrei apenas vítimas. Confesso que inicialmente me deixei contaminar pelo ímpeto de quem clama por justiça e pelas descrições ácidas que caricaturavam os autores de abuso como monstros inescrupulosos – e infelizmente não duvido que alguns o sejam. Mas aos poucos fui percebendo e discernindo que na cirando do abuso espiritual não existem algozes ou vítimas, mas normalmente apenas vítimas, cada qual a sua maneira e própria dimensão.
As vítimas de abuso sofrem porque de repente seus olhos se abrem a enxergam quanto foram usurpadas: física, emocional, material e espiritualmente, pois o abuso nunca afeta uma área da vida, senão todas, em diferentes proporções – o abuso é sistemático. Os autores do abuso, por sua vez, também foram ou estão sendo vítima de abuso: ou reproduzem o dano que sofreram ou estão sendo manipulados como instrumentos para causar danos – por trás do abuso está o espírito daquele que vem para matar, roubar e destruir.

Prefácio do Livro Feridos em Nome de Deus
Ed René Kivitz

Seria bom que alguns se olhassem no espelho
Wagner

Pentecostalismo? Esse? Qual?


Pentecostalismo? Esse? Qual?


O pentecostalismo contraria a tendência da intelectualização do protestantismo. É menos racional, e é isso que as pessoas buscam. Nele, o seu contato com Deus no culto é mais importante do que a vida civil, como ocorreria no protestantismo clássico, que construiu, por exemplo, a civilização norte-americana.

Como explica o sociólogo da religião Antônio Flávio Pierucci, o protestantismo traz muito poder ao culto porque é ali que se manifestam os dons do Espírito Santo, as profecias, o falar em línguas estranhas, o que leva as pessoas a sentirem que Deus se agrada delas. E isso já basta. Não é como no protestantismo original, em que a salvação precisava ser demonstrada na prática, por meio de uma vida íntegra.


Feridos em Nome de Deus
Marília de Camargo César

O fogo que vem de cima para baixo (de Deus) aquece primeiro o interior, transformando o homem de dentro para fora. O genérico, que vem de baixo, só mexe na casca, sem nenhum significado na vida daquele que o experimenta.

Pense nisto
Wagner

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Deixando as Coisas de Menino


Crescer na Graça e no Conhecimento

“Não deis aos cães as coisas santas, nem atireis vossas pérolas aos porcos; para que eles não as pisem com os pés e, voltando contra vós, vos despedacem” (Mt 7,6)... Diria Jesus a cada um de nós!

Infelizmente é mesmo por este caminho que os poderosos de hoje fabricam as suas “marionetes” de Deus. Uma coisa é formar as pessoas, outra coisa é querer uniformizá-las assim tão cegamente. É uma pena que infelizmente, até mesmo esta simples palavra, este “Amém”, tão espontâneo por muitos de nós, tenha sido manipulado, rotulado, institucionalizado, transformado em grito de guerra. Ele está tornando-se ultimamente em si, numa espécie de chavão de consumo, dentro de certas religiões, pelos constantes fazedores do mal e do poder centralizador, uniformizando assim, pessoas seduzidas por este “canto da sereia” próprio do momento presente, que é esta atual globalização maquiada num tipo de sagrado, com sabor New Age.

Este tipo de articulação indevida acaba em si gerando aqui um certo modelo de opressão, deixando de fora muitas boas pessoas daquilo que verdadeiramente é a própria dinâmica do Reino. Por isso, neste nosso contexto de Fé e Vida, é necessário, antes de tudo, amadurecer a razão, a emoção e o poder que temos, para não sermos então totalmente enganados pela religião que facilite a teologia da retribuição em oposição à devida teologia da comunhão que é essencial na Revelação Trinitária. “Quem procura uma religião de retribuição está em busca de uma religião de resultados, onde este tipo de mentalidade nos revela aquilo que é próprio do mercado consumista” como diria Pe. Vitor Galdino Feller.

Daí a importância desta nossa mesa na integração da Fé com a Vida, para que a teologia enquanto tal seja aqui em si uma possível teologia de comunhão, e, não da retribuição manipulada, própria do mercantilismo neoliberal. A mesa deve colaborar para quebrar o dualismo existente entre ambas. Pois, no constante jogo consumista destes “pseudo poderosos”, o “amém”, funciona muito bem, delimitando então esta verdadeira integração de nossa Fé com a própria Vida.

Muitos desses tais deuses e deusas, opressores e opressoras deste e do “outro mundo”, geralmente, se aproveitam muito bem desta nossa constante ingenuidade em matéria de “religião”. Pois sem uma fé perfeitamente adulta, acabamos mesmo dominados, principalmente, os mais pequeninos, através daquela costumeira propagação que circula entre nós de uma certa doutrina sobre o ‘pecado’, que está disfarçada entre nós, como “Guerra Santa” e amor cego a um certo fundamentalismo religioso. Pois, essas mesmas arenas religiosas, ao invés de salvarem pessoas, acabam inconscientemente, favorecendo a nossa já tão conhecida Cultura de Morte com suas diversas modalidades, que no caso desta já desenfreada religião de mercado, poderemos então até chamá-la aqui, de ‘terrorismo espiritual’. Nesta tal doutrina do ‘pecado’, infelizmente, o que predomina muitas vezes é aquela antiga lei do “olho por olho” e “dente por dente”, fora de seu devido contexto, propagando assim uma indevida idéia de um Deus meramente justiceiro, o que impede o favorecimento da verdadeira ação da lei da “não violência”, e, da revelação de um Deus de ternura, que na sua constante ausência é mesmo permissível, à origem desta possível Cultura Mortífera.

Teologia da Mesa
Damasceno

Wagner

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

São João da Cruz


“À nossa vida é como uma pomba dentro de uma gaiola que tem a porta aberta por causa da liberdade que nos foi oferecida pelo próprio Deus. A pomba colocada ali está pronta para voar. Mas, por causa do nosso egoísmo não queremos sair de dentro dela. Nos acomodamos e deixamos surgir na porta da gaiola (em sua entrada) uns finíssimos fios como de aranha dourados que são os nossos pecados de estimação. Infelizmente, passamos então a nossa vida inteira contemplando esses mesmos fios dourados e iludidos deixamos de sair da nossa gaiola egoísta para voar até Deus e aos irmãos”.


Apenas Reflita
Wagner