sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O Bem e a Omissão do Bem


O Bem e a Omissão do Bem


Em Mateus 25.31,46 diz algo importante sobre o julgamento das nações. O Filho do homem virá e separará uns dos outros como um pastor separa as ovelhas das cabras. Colocará as ovelhas a sua direita e as cabras a sua esquerda. O que as identifica como ovelhas e cabras?


O texto diz que as ovelhas faziam o bem ao próximo: “tive fome e me deste de comer, tive sede e me deste de beber, era migrante e me acolheste, estava nu e me vestiste, estava enfermo e me visitaste, estava encarcerado e foste ver-me. Note que os justos lhe respondem: Quando Senhor? Eles não faziam o bem como muita gente faz. Eles não sabiam que havia uma promessa como fruto do bem que eles faziam. Eram gente boa que fazia o bem porque eram de alma boa e desinteressada. Não faziam o bem como troca para receber alguma coisa.

Os que se omitiam de fazer o bem foram chamados de cabras, sendo colocados a esquerda do Senhor. Eles também não sabiam das consequências da omissão de fazer o bem. Eles são chamados de malditos e são mandados para o fogo eterno preparado para o Diabo e seus anjos.
Qualquer religiosidade que não passa pelas relações horizontais, não se estabelece na vertical, são apenas circenses montadas para entretenimento das pessoas que frequentam o templo, expressando uma religião sem vida e sem propósito. “ Tive fome não me deste de comer, tive sede e não me deste de beber, era migrante e não me acolheste, estava nu e não me vestiste, estava enfermo e encarcerado e não me visitastes. Eles replicarão, mas não adiantava mais. Eles quando deixaram de fazer a um dos pequeninos do Senhor, a Ele deixaram de fazer. Não adiantou cultos, ministérios, pregações, apologias, orações e etc.
Se estamos divididos, se estamos valorizando mais o templo do que as pessoas, se o dogma é mais importante do que a vida, se buscamos poder, vaidade, dinheiro, se brigamos por posições, por cargos, se construímos templos e esquecemos da vida, se ganhamos salários enquanto outros não ganham nada, Deus não está aprovando, e todos que agem assim, não conseguem ter uma relação verdadeira com Deus. Estão enganados e enganando a muitos.

Quem são as ovelhas e as cabras? Cada um julgue a sua própria consciência e faça uma introspecção para saber exatamente que é em Deus.

Crendo na possibilidade de arrependimento.
Wagner

Auto-engano


O que é auto-engano?



Em minha maneira de ver e dizer, auto-engano é a construção da mente em desconexão com a verdade; pois, embora o auto-engano em geral se vincule ao que chamamos de “mundo real”, ele acontece sobre a premissa da fantasia ou da realidade adaptada à conveniência, mas sem vinculo com aquilo que no mundo real é verdade sobre o mundo, sobre nós e sobre o próximo.

Auto-engano é o capricho da vontade alterando a realidade-verdade, seja inconscientemente ou semi-conscientemente, ou mesmo de modo consciente no início — para, então, depois, em razão da necessidade de conforto psicológico, a pessoa fazer o processo todo imergir no subconsciente como determinação da consciência do indivíduo sujeito a tal necessidade de fuga.

É assim que a pessoa começa a criar as condições para poder viver como se o que não é de fato fosse; e, desse modo, virtualizar a realidade, sempre pisando num chão “real”, porém corrompido pela fantasia, o que faz dele um chão-lugar-no-mundo-real; embora, à semelhança de um estado esquizofrênico-unificado (mono frênico) — o indivíduo surtado de auto-engano veja como verdade e realidade aquilo que ele mesmo criou para seu próprio conforto ou conveniência psicológica de engano, a fim de não encarar a verdade.

Ora, quem se entrega ao auto-engano (mesmo que seja devocional e piedosamente como os crentes costumam fazer) jamais encontrará o Evangelho como verdade libertadora; posto que no auto-engano não há Graça; pois onde há Graça aí há Verdade; e no auto-engano não há verdade, mas apenas a adesão à fantasia que escraviza a alma, impedindo-a de viver no chão da realidade-verdade, que o único-lugar-existencial no qual a libertação do ser acontece.
Todos nós temos muitos auto-enganos; mas a vida de certas pessoas é toda feita de auto-engano!
O caminho do Evangelho é livrar-nos do engano, do auto-engano, e da fantasia, a fim de nos por o pé no chão do Caminho, que é a Verdade, e sem cujo Piso para andar, não se encontra Vida.

Pense nisto!
Caio

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Fraqueza de Deus


Boa parte do ateísmo contemporâneo baseia-se na objeção enunciada com muita força no passado por J. P. Sartre e retomada pelos seus discípulos: “Se Deus existe, eu não sou nada”.
Se existe um Deus onipotente, o que ainda sobra para mim? Essa presença ao meu lado do poder absoluto torna irrisórias todas as minhas ações. Diante do infinito, todo o finito torna-se irrelevante. Há muitas maneiras de enunciar o argumento.
A objeção foi formulada desde a Idade Média, mas não conseguiu convencer. A resposta diz que Deus e o homem não se situam no mesmo plano, como duas liberdades em competição.
A resposta não convenceu porque durante séculos os teólogos debateram a questão da predestinação, isto é, da compatibilidade entre a liberdade de Deus todo-poderoso e a liberdade humana.
Assim fazendo, situaram no mesmo plano as duas liberdades. Se os teólogos – tomistas, dominicanos e jesuítas – tomaram essa posição durantes séculos, não é estranho que filósofos façam a mesma coisa.
De qualquer maneira, a pessoa sente tantas vezes o conflito entre a sua vontade, o seu desejo e o que diz que é a vontade de Deus, que a reação parece inevitável. Os sartreanos sustentam que, para ser livre, é necessário negar a existência de Deus. Infelizmente para eles, Deus não depende das negações ou das afirmações de Sartre.
A verdadeira resposta está na fraqueza de Deus. O nosso Deus é um Deus “escondido” – tema constante da tradição espiritual cristã. É um Deus que se manifesta no meio da nuvem, que se faz
perceptível, mas não impõe a sua presença. A liberdade consiste justamente nisto: diante do outro, a pessoa pára, reconhece e aceita que exista. Abre espaço, acolhe. Longe de dominar, escuta e permite que o outro fale primeiro. Assim Deus suspende o poder de Deus.
Nenhuma evidência, nenhuma ameaça, nenhum constrangimento força nem obriga. Deus permite e deixa fazer. Deus respeita o outro na sua alteridade e permite, até mesmo, que o outro se destrua sem intervir. A liberdade de Deus consiste em permitir e ajudar a liberdade do menor dos seres humanos. A liberdade de Deus reprime o poder. Torna-se fraca para que possa manifestar-se a força humana.
O hino de Filipenses 2.6-11, núcleo da cristologia paulina, expressa essa fraqueza de Deus. Pois o aniquilamento de Jesus incluía o aniquilamento do Pai: "Esvaziou-se a si mesmo e assumiu a condição de escravo, tomando a semelhança humana. E, achado em figura de homem, humilhou-se a foi desobediente até a morte, e morte de cruz!” (Fl 2.7-8).
Deus escondeu o seu poder até a ponto de as autoridades de Israel não o reconhecerem. É desta maneira que Deus se dirige às pessoas: sem intimidação, sem poder, na dependência de seres humanos, entregando a própria vida nas mãos de criminosos. Quem dirá que dessa maneira Deus faz violência às pessoas?
Como comentou Levinas, o outro é o desafio da liberdade, a provocação que a desperta. Diante do outro há duas atitudes: examiná-lo para ver em que lê me poderia ser útil ou qual é a ameaça que representa para mim, ou então, perguntar-me o que eu poderia fazer para ajudá-lo.
A liberdade de Deus autolimita-se. Diante da sua criatura, Deus limita sua presença. Deus preferiu antes deixar que crucificassem o seu Filho a intervir para impedir tal justiça. Trata-se
de fraqueza voluntária.
É verdade que durante muitos séculos, sobretudo na pregação popular, os pregadores apresentaram uma concepção bem diferente de Deus. Usaram temas e comportamentos da religião popular tradicional: medo diante do trovão, medo da seca e de cataclismos naturais – entendidos como castigos divinos –, medo das doenças recebidas também como castigos e assim por diante. Era fácil despertar o temor a partir de idéias puramente pagãs ou supersticiosas. Essa pregação de terrorismo religioso podia dar resultados imediatos, levando milhares de pessoas aos sacramentos.
A longo prazo, porém, destruíram as bases da credibilidade da Igreja. Hoje a maioria das pessoas deixaram de ter medo do trovão, não sendo mais motivo para temer a Deus, como foi no passado. Naquele tempo achou-se válido o método do temor, todavia hoje recolhe-se os frutos dessa pastoral.
Pensou-se que os povos precisassem temer um Deus forte – e desprezariam um Deus fraco. Tais erros se pagam cedo ou tarde. Estamos pagando hoje esse preço. Deus torna-se fraco porque ama. Quem mais ama é sempre mais fraco. Não será essa a grande característica das mulheres? Quase sempre amam mais, e, por isso, sofrem mais. Porém, nessa fraqueza consentida não estará a maior liberdade?
Nessa fraqueza a pessoa vence todo o egoísmo, todo o desejo de prevalecer, toda a preguiça de aceitar maiores desafios. Exige mais de si própria, vai mais longe, além das suas forças. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (João 15.13). Aí está também a expressão suprema da liberdade. A fraqueza de Deus vai até a ponto de se tornar suplicante. O versículo predileto do saudoso teólogo latino-americano Juan Luís Segundo diz; “Eis que estou batendo na porta: se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei na sua casa e cearei com ele e ele comigo (Apocalipse 3.20).
Deus bate na porta e aguarda. Se não é atendido, afasta-se e continua o caminho. Somente entra se é convidado. Depende do convite da pessoa. Deus torna-se pedinte, suplicante.



(extraído de "Vocação para Liberdade" - Editora Paulus.).


José Comblim

sábado, 14 de novembro de 2009

Amor Que Liberta a Consciência




Amor Que Liberta a Consciência


Imitar o “noivo” significa amar. Porque a essência do noivo é precisamente estar apaixonado, o maior dos enteógenos. A identidade do noivo é determinada pela relação com outra pessoa: sem “noiva” não existe “noivo” (sem amor não existe perdão). É o símbolo do Deus Trinitário, um Deus que se define por suas relações, (sendo inteiramente Perdão).

No entanto, amar não significa apropriar-se da vida de outros para entender os domínios da própria imagem. Nem tampouco anular o ego diluindo a identidade individual em um fluído eclético e comum __ o amor leva a pessoa a transcender-se. Assim sendo, o crescimento é uma profundidade, e não um volume.

Habitualmente, o ser humano apaixona-se por uma ilusão, por um sonho, por um projeto que traz um benefício para seu ego. São realidades virtuais que ocultam a contingência do ser. Não obstante, Deus se apaixona pela realidade, vale dizer, pela pobreza. Deus ama gratuitamente, porque não necessita de nada em troca. Por isso, ninguém pode merecer seu amor. Isso escandaliza a prepotência humana.

Para transformar-se em “noivos”, os convidados ao banquete têm de deixar de ser expectadores das bodas (a vida) e arriscar-se a se defrontar com o vazio. Todavia se desejarem superar a barreira do horizonte conhecido e abandonar a segurança de superfície será necessário que outro (ou o Outro) abra as comportas de seu interior. Sem amor não existe profundidade possível, porque só o amor incondicional penetra até a raiz do ser.

Quem se deixa embriagar pela paixão do Amor Divino, ou seja, quem ousa apaixonar-se pelo Amor, entra em um processo espiritual de libertação e de iluminação. A amizade liberta-o de sua auto-imagem, permitindo-lhe retornar à nudez do Paraíso. Quanto mais ama, tanto menos cativo é de sua máscara e tanto mais autêntico se torna. O ser encontra-se sequestrado por uma personalidade virtual e só o amor pode resgatá-lo.

Entretanto, esse amor é fogo que queima e dói. Filtra-se pelas junções do interior e corrói a couraça de vaidade, ciúme, prepotência, agressividade e auto-suficiência que protege a aparência de identidade. É um amor libertador que rompe as ataduras que prendem o ser interior. É o bisturi que disseca a alma e extirpa paulatinamente os demônios interiores.

E essa chama viva de amor ilumina a existência. O amor é ao mesmo tempo o motor que impulsiona o ser humano, a luz que o guia e a meta definitiva em sua odisseia pelo universo interior. Por isso, é a chave do crescimento espiritual’

Pense Nisso
Wagner

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

DIVÓRCIO (FALANDO POR OUTRO)




DIVÓRCIO

Justificar
Nós lemos Mateus 5: 31 e 32 e pensamos nele com nossas categorias ocidentais, posteriores à predominância política do Cristianismo sobre este lado do planeta, impondo não uma nova consciência, mas apenas uma nova Moral.

Todavia, quase nunca levamos em consideração o contexto no qual Jesus disse esta palavra. Naqueles dias, embora a poligamia e a bigamia—tão constantes no Antigo Testamento— ainda existissem, desde o exílio em Babilônia que ela vinha diminuindo—por questões econômicas, como é obvio! Todavia, ainda que ambas não fossem a norma para a maioria, na prática, no entanto, era ainda uma consciência prevalecente.

Prova disso é que em João 8, no episódio da mulher adultera e Jesus, não se apresenta o “homem” com quem essa “adultera”, adulterara. “Ele”, o homem, estava isento das pedradas. Mas a mulher estava lá, seminua ou nua, exposta a todos.

Portanto, quando Jesus diz que a Lei dizia que um homem poderia des-cartar a sua mulher dando-lhe uma carta de divórcio, Ele falava isto a uma assembléia machista, que praticava isto com muita alegria e facilidade. Tudo era motivo para se divorciar. Literalmente, por qualquer motivo, como vemos em Joaquim Jeremias e outros especialistas ( Mt 19:3)

Isto para não falarmos na briga doutrinária que havia, nos dias de Jesus, entre as escolas de Shamai e Hillel em relação ao tema em questão. Era o reino da banalidade relacional.
Nesse caso, o que Jesus diz, levando-se em consideração o “contexto historio”, é basicamente o seguinte:

1) Se, para vocês, a mulher é adúltera quando trai o seu marido, dando-se fisicamente a um homem, todavia, vocês, os homens, cometem muito mais adultério pelo modo “natural” como olham e desejam mulheres (MT 5: 28);

2) Neste mundo onde o homem “descarta” a mulher—ela sem direitos a mesadas e a patrimônio, estigmatizada pela Moral vigente e, praticamente, entregue a sobreviver como pudesse—a única clausula, de permissão ao divorcio era se a esposa traí-se o marido; ou seja: “... em caso de adultério” (5: 32b). Nessa caso, o homem poderia dar a ela carta de repudio e divorcio. Naqueles dias, mulheres não se divorciavam dos homens. Era a Lei.

3) A razão, portanto, tinha a ver com o estigma que a “repudiada”, a divorciada, carregaria, naquela sociedade, daí para frente. Ao homem era permitido—por qualquer motivo—desamparar a esposa, repudiando-a, e, então, depois disto, era-lhe “lícito” escolher outra mulher e seguir adiante com sua vida. Não era sempre bigamia, mas era sempre uma monogamia sucessiva. Ela era extremamente praticada até que Shamai, um rabino, se levantou contra aquela injustiça, discutindo os “motivos justos para dar uma carta de divorcio”, que, à semelhança de Jesus, para ele, também era o adultério.

Todavia, a preocupação era com o estado de desamparo no qual ficava a mulher repudiada-divorciada, pois, para todos, ela passava a ser fadada a nunca mais amar ninguém e nem ter ninguém, apenas porque alguém não a quis mais, por qualquer motivo.

Esta é a razão pela qual Jesus—após denunciar o adultério subjetivo de todos os homens—diz que a preocupação era com expor a mulher a tornar-se adultera (Mt 5: 32c), e, também com “aquele” que, porventura, à ela se ajuntasse, pois, ele também, passaria a ser visto como o marido da repudiada.

Numa sociedade onde o homem tinha todos os privilégios, incluindo o de ter uma segunda esposa caso a pudesse sustentar, descartar a esposa e entrega-la ao mundo com uma letra R, de Repudiada, escrita na testa, e, ainda, esperar que ela vivesse de vento, expunha-a a tornar-se adultera—fosse pela necessidade de ser sustentada por alguém, fosse pela realidade de ter encontrado alguém. Assim, em Mt 5: 27-28, Ele iguala a todos no nível do adultério subjetivo.

Já em Mt 5: 31-32, Ele nos mostra como uma vítima da dureza de coração de um homem—que descarta e não cuida da vida humana que ao seu lado esteve—pode, numa sociedade regida pela Teologia dos Fariseus, ser ainda mais des-graçada.

O “repudio” do homem tornava a mulher, no mínimo, uma “repudiada” e, no caso dela prosseguir com a vida—sem ter que se entregar à mendicância—,a exporia a ser vista, para sempre, como adultera. Dessa forma, Jesus afirma duas coisas: primeira, a seriedade do vinculo entre dois seres humanos numa relação de casamento; e, a segunda, a possibilidade de que a alma humana pudesse se endurecer tanto, que usasse a do outro, e depois, simplesmente a descarta-se, sem cuidado e sem proteção. Em outras palavras: Jesus não entrou na questão da Lei—até Moisés teve mais de uma esposa—, mas na questão da misericórdia, e, sobretudo, no tema da descriminarão Moral do infeliz; e, também no tema da Teologia dos Fariseus e a sua dureza predatória— suas Leis de causa e efeito da infelicidade—, que, naquele caso, era uma Lei animal, que tratava a companheira como lixo.

E por que digo isto?

Por duas razões:

1) Porque é o que vejo no trato de Jesus com as mulheres de todos os tipos de vida durante os Evangelhos. Quase todas elas vinham de vidas infelizes, mas todas foram absolutamente acolhidas, a Samaritana, inclusive, com seu “companheiro”, acerca de quem Jesus disse: “...chama teu marido e vem cá...”

2) Minha leitura da Bíblia, toda ela, está irremediavelmente ligada à única chave hermenêutica que eu creio que é absoluta: “O Verbo se fez carne”—essa é a chave hermenêutica! Logo é no Verbo Encarnado, Jesus, onde vemos o Verbo virar Vida, em todos os sentidos.

Ora, isto nos leva não a ler o que Jesus disse e , para melhor entender o texto, fazermos uma exegese da passagem. Ao contrário: isto nos leva a ler e ouvir o que Jesus disse, e, ver, nos evangelhos, como Ele encarnou aquele Verbo.

Ora, quando fazemos isto, não temos mais o Evangelho que Jesus falou e nós “interpretamos” como bem desejamos; e o Evangelho que Jesus viveu, que nós usamos para nos inspirar na fé na fé. E esquecemos que são naqueles encontros com a vida que cada um de Seus ensinos—literalmente, cada um deles—, teve sua verdadeira interpretação.

Jesus nunca ensinou aquilo que Ele não encarnou, como manifestação da Graça!

A tentativa de fazer exegese das falas de Jesus, e não levar em consideração como Ele tratou as pessoas pelo caminho, é audaciosa, pois, coloca-nos como “os interpretes da Lei”: com a Chave da ciência debaixo do braço, pondo-nos numa posição na qual Jesus pode ser esquizofrenizado pelas nossas doutrinas e Teologias; ou seja: ensinando uma coisa—geralmente legalista em seus conteúdos—, conforme nós “interpretamos” as falas de Jesus; enquanto, também evangelizamos, falando do modo misericordioso como Jesus tratou com amor os pecadores.

O problema é que, na maioria das vezes, o Jesus que encontra pessoas pelo caminho—gente de todo tipo—, não combina com as “interpretações” que fazemos de Suas Palavras.

Quem é que está com problemas? Seria Jesus um “esquizofrênico”?

Seria Ele como os fariseus, que diziam e não faziam?

Ou como os “interpretes da Lei”, que punham fardos pesados sobre os homens que eles nem com o dedo queriam tocar?

Ou nós é que continuamos sofrendo da doença deles?

Responda-me:

Crendo que Jesus é o Verbo encarnado, como você interpreta o que Ele disse?

À luz dos ensinos de nossos interpretes da Lei? Ou, quem sabe, para o seu próprio bem, conforme o Verbo Encarnado em Jesus!

Jesus é a Palavra sendo interpretada aos nossos olhos!

Afinal, o Verbo se fez carne e habitou entre nós...e vimos a Sua Gloria...!

Caio

Muito Bom!
Wagner

QUANDO A IGREJA NÃO É "IGREJA"...




QUANDO A IGREJA NÃO É “IGREJA”...


Igreja tem que ser coisa de gente de Deus, de gente livre, de gente sem medo, de gente que anda e vive, que deixa viver..., que crê sempre no amor de Deus...; e, sobretudo, é algo para gente que confia..., que entrega..., que não deseja controlar nada...; e que sabe que não sabe, mas que sabe que Deus sabe...
Somente gente com esse espírito pode ser parte sadia de uma igreja local, por exemplo...
Entretanto, para que as pessoas sejam assim seus pastores precisam ser assim...
Se o pastor é assim..., tudo ficará assim...
Ou, então, o tal pastor não emprestará a sua vida para o que não seja vida, e, assim, bem-aventuradamente deixará tal lugar de prisão disfarçada de amor fraterno...
Em igreja há problemas... É claro... Afinal, tem gente...
Mas nenhum problema humano tem que ser um escândalo para a verdadeira igreja de gente boa de Deus.
Numa igreja de Deus ninguém tem que ser humilhado..., adúlteros não tem que ser “apresentados” ao público..., ladrões são ajudados a não mais roubarem..., corruptos são tratados como Jesus tratou a Zaqueu..., e hipócritas são igualmente tratados como Jesus tratou aos hipócritas...; ou seja: com silencio que passa..., mas, ao mesmo tempo, não abre espaço...
Na igreja de gente boa de Deus fica quem quer e até quando deseje... E quem não estiver contente não precisa ser taxado de rebelde e nem de insubordinado... Ele é livre para discordar e sair... Sair em paz. Sem maldições e sem ameaças; aliás, pode sair sem assunto mesmo...
Na verdadeira igreja não há auditores, há amigos.
Nela também toda angustia humana é tratada em sigilo e paz.
Igreja é um problema?...
Sinceramente não acho...
Pelo menos quando a igreja é assim, de gente, para gente, liderada por gente, com o propósito de fazer de toda gente um humano maduro — então, creia: não há problemas nunca, pois, os problemas em tal caso nada mais são do que situações normais da vida, como gripe, febre ou qualquer outra coisa, que só não dá em poste de ferro...
Tudo o que aqui digo decorre de minha experiência...
Não é teoria...
Pode ser assim em todo lugar...
Mas depende de quem seja o pastor...
E mais: se o povo já estiver viciado demais nem sempre tem jeito...
Entretanto, se alguém decide começar algo do zero, então, saiba: caso você seja gente boa de Deus, e que trate todos como gostaria de ser tratado..., não haverá nada que não seja normal, pois, até as maiores anormalidades são normais quando a mente do Evangelho em nós descomplicou a vida.


Pense nisso!...
Nele,
Caio

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Parábola do Filho Pródigo





A parábola do filho pródigo nos coloca diante da tensão existente entre o amor e a liberdade, dois dos maiores anseios do coração humano. O filho mais novo queria a liberdade; o mais velho, ser amado. A tensão se explica pela aparente contradição na experiência da liberdade e do amor.

O senso comum define a liberdade como a não sujeição do eu ou do ego a qualquer realidade limitadora ou impeditiva da realização de desejos e vontades. Livre é quem faz o que quer, quando quer, onde quer, com quer, porque quer, e assim por diante. O amor, por sua vez, é compreendido pela entrega do eu ou do ego ao objeto amado, o que implica renúncia, abnegação, e até mesmo sacrifício.

Quem ama valoriza mais o relacionamento com o ser amado do que a realização de suas vontades e desejos. Isto é, amar é abrir mão da liberdade.O mesmo Jesus que disse ser a fonte da liberdade: “se o Filho os libertar, vocês de fato serão livres” (João 8.36), exige que seus seguidores morram para si mesmos: “se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo” (Mateus 16.24). Nesse sentido, a liberdade não é compatível com o amor, pois o amor não é compatível com o egoísmo-egocentrismo.

A pretensão humana de liberdade conforme descrita é ilusória, pois é fato que a liberdade humana não é absoluta: ninguém consegue fazer o que quer, onde quer, como quer... A realidade na qual vivemos impõe limites à liberdade humana, como por exemplo, a impossibilidade de voar ou de sobreviver sem dormir e respirar. São limitações que não implicam desejos e independem das vontades, e por esta razão, não constituem dilemas éticos.

Mas há outros limites que implicam posicionamentos éticos e decisões morais, como por exemplo o zelo do corpo e o cuidado das relações de confiança. Sempre que os limites de sua liberdade são desrespeitados, o ser humano entra em rota de colisão com sua natureza, a natureza da realidade em que vive e, portanto, de auto-destruição e destruição do que lhe tem valor. Por exemplo, aquele que desrespeita o limite imposto pela lei da gravidade e pretende andar sobre os ares pula para a auto-destruição, assim como aquele que não cuida de sua saúde. O mesmo ocorre com quem deseja se relacionar com base na mentira, na infidelidade e na exploração do outro em benefício próprio: destrói a si mesmo, ao outro, e também a relação de amor.

O dilema entre a liberdade e o amor, portanto, pode e deve ser superado, primeiro, pela consciência de que a liberdade humana é relativa, e, também e principalmente, pela renúncia voluntária (livre) da vida egocêntrica, em favor das relações de amor. Amar implica escolher livremente se dedicar ao amado. Isso é graça: entrega do si mesmo em favor do objeto amado: “a minha vida ninguém a tira de mim, mas eu a dou de minha espontânea vontade” (João 10.18). Dou espontaneamente porque sou livre, e mesmo assim a dou, porque amo. Assim viveu Jesus. Assim morreu Jesus. E porque livre e pleno de amor, a morte não o pôde reter – ressuscitou.

Ed René Kivitz


Muito Bom
Wagner